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Agronegócio

Embrapa publica orientações para acelerar o plantio de noz-pecã no sul do país

A publicação tem como base mapas de solos e dados climáticos dos três estados do Sul e indica as melhores regiões para produção.

Documento que indica as áreas mais propícias para o cultivo da nogueira-pecã no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná foi lançado pela Embrapa Clima Temperado (RS) durante a Abertura Oficial da Colheita da Noz-Pecã, no dia 29 de abril.

O zoneamento tem como base mapas de solos e dados climáticos dos três estados do sul, como quantidade de horas de frio e níveis de umidade do ar. A indicação das regiões mais ou menos aptas ao cultivo, principalmente para implantação de novos pomares, é feita a partir do cruzamento desses dados.

Para o presidente do Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan) e coordenador da Câmara Setorial da Noz-Pecã, Demian Segatto, o zoneamento é importante porque dá mais segurança a quem pretende investir na cultura, além de ajudar na escolha das cultivares mais adequadas à região onde o pomar está localizado.

Saiba mais conferindo o texto completo no portal.

Documento que indica as áreas mais propícias para o cultivo da nogueira-pecã no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná foi lançado pela Embrapa Clima Temperado (RS) durante a Abertura Oficial da Colheita da Noz-Pecã, no dia 29 de abril. 

O documento, intitulado “Zoneamento Edafoclimático da Nogueira-Pecã para a Região Sul do Brasil”, busca promover o ordenamento territorial e indicar as melhores regiões para produção sob a perspectiva da sustentabilidade. 

Confira a publicação aqui.

O que o documento traz?

O zoneamento tem como base mapas de solos e dados climáticos dos três estados do sul, como quantidade de horas de frio e níveis de umidade do ar. A indicação das regiões mais ou menos aptas ao cultivo, principalmente para implantação de novos pomares, é feita a partir do cruzamento desses dados. 

Originária do sul dos Estados Unidos, a pecã precisa de clima frio – com acumulado de horas de frio alternando de acordo com a variedade – para retomar um novo ciclo a cada carga de fruta colhida, o que explica sua concentração na Região Sul do Brasil.

Os solos mais adequados para a cultura são profundos, ricos em matéria orgânica, com boa fertilidade e, principalmente, sem problemas de drenagem. Além disso, como a nogueira necessita de frio acima de cem horas anuais e não tolera alta umidade, as áreas litorâneas, de solos muito encharcados e que não têm frio, não são muito propícias ao cultivo.

Benefícios que essas orientações podem proporcionar

Para o presidente do Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan) e coordenador da Câmara Setorial da Noz-Pecã, Demian Segatto, o zoneamento é importante porque dá mais segurança a quem pretende investir na cultura, além de ajudar na escolha das cultivares mais adequadas à região onde o pomar está localizado. 

Segundo Segatto, o retorno do investimento em pomares comerciais acontece somente depois de 15 anos. “É um investimento de longo prazo, com retorno longo e com altos valores. Então eu não posso correr o risco de fazer esse investimento em uma área inadequada, em uma região que não seja propícia”, justifica.

Da mesma forma, quanto mais apta a área, menor é o uso de insumos e a intensidade do manejo. Por outro lado, maior é a exploração do potencial produtivo e qualitativo das nogueiras-pecã, refletindo em produtividade.

Para Segatto, o documento também é base para outros trabalhos, como o zoneamento de risco ambiental, que alicerça o acesso a financiamentos bancários. 

A cultura de noz-pecã no Brasil

A nogueira-pecã foi introduzida no Brasil em 1870, mas somente nas décadas de 1960-1970 passou a ser explorada comercialmente, em especial na Região Sul do Brasil. Segundo dados da Embrapa e do International Nut and Dried Fruit (INC), a produção em 2019 teve um recorde de 3,5 mil toneladas. Em 2021, a expectativa é de um novo recorde: superar 4,5 mil toneladas.

Impulsionado por um mercado rentável e pela crescente demanda global, o Brasil vem subindo no ranking mundial de produtores dessa noz e, com a produção de 2019, foi colocado entre os quatro maiores produtores do mundo, atrás apenas do México, dos Estados Unidos e da África do Sul.

Produção de noz-pecã em Santa Catarina

Como é compatível com outras atividades agrícolas, a produção de noz-pecã está ganhando terreno em Santa Catarina. Sua cultura foi implantada no estado nas décadas de 1970 e 1980, mas acabou sendo abandonada na maioria das propriedades. A retomada ocorreu há cerca de 15 anos, quando agricultores catarinenses trouxeram mudas do Rio Grande do Sul para testar em suas propriedades. Agora, novas plantas formam pomares produtivos no Oeste, no Extremo Oeste e no Alto Vale do Itajaí, onde os catarinenses redescobrem as vantagens de investir na cultura. 

No Oeste e no Extremo Oeste, atualmente, são cerca de 80 propriedades com 175 hectares plantados. Entretanto, a maior parte das árvores ainda é jovem, com até oito anos. Já no Alto Vale do Itajaí, há 133 hectares implantados desde 2007 em 50 propriedades de 17 municípios.

Crescimento da cultura e planos para exportação

O crescimento em termos de área cultivada no Brasil foi de 930 hectares, em 2004, para cerca de dez mil hectares em 2019 – foram 1,2 mil novos hectares somente nesse ano. Desse total, cerca de 70% está no RS, 22% em SC e 8% no PR. 

De acordo com Segatto, o crescimento da cultura deve manter esse ritmo. Entretanto, essa situação acaba se tornando um desafio para o setor, uma vez que o crescimento não tem sido acompanhado pelo aumento do consumo no mercado nacional. Dessa forma, com o volume de produção maior do que as taxas de consumo, o preço de comercialização tende a diminuir. 

Antevendo essas questões de comercialização, o IBPecan vem trabalhando fortemente com a consolidação e a ampliação do mercado interno. Têm sido feitas ações para melhorar o manejo da fertilidade, das podas, do controle de pragas e doenças dos pomares, além de aperfeiçoar as condições de armazenagem e acondicionamento para aumentar o tempo de prateleira.

A abertura de novos mercados, principalmente a China, também está no horizonte da cadeia produtiva para o escoamento da produção. Lá fora, o valor é mais atrativo e já chegou a 4,5 dólares o quilo.

Planos para o futuro

Para dar suporte tecnológico e projetar a cadeia produtiva nesses aspectos, a Embrapa Clima Temperado está estabelecendo uma parceria com o IBPecan chamada “Pecan 2030”. A ideia é captar recursos, desenvolver tecnologias e elaborar estratégias com base nas metas do setor para 2030. A projeção é atingir entre 25 e 30 mil hectares plantados. 

No projeto, também está prevista a formalização, junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), da Produção Integrada da Nogueira-Pecã, de maneira a viabilizar a rastreabilidade e a certificação, o que também ajudará a acessar novos mercados com a exportação das nozes. 


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Fontes: Produção de noz-pecã cresce em Santa Catarina. Epagri. 2019. Brasil já é o 4º maior produtor mundial de noz-pecã. Agro em dia. 2020. Paulo Lanzetta. Embrapa lança documento com áreas recomendadas para cultivo da nogueira-pecã no Sul do País. Embrapa. 2021. 

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