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Indústria

Economia regenerativa é tendência no pós-pandemia

Modelo econômico tem foco no impacto positivo do negócio junto às pessoas e o planeta

O modelo de negócio baseado em extrair, produzir e descartar sem pensar nas consequências socioambientais está com os dias contados. Isso porque o novo comportamento do consumidor – que foi intensificado pela pandemia da Covid-19 – tem priorizado produtos de empresas que colocam a sustentabilidade no centro da estratégia dos negócios. O objetivo é atender às reais necessidade humanas e, ao mesmo tempo, preservar o meio ambiente. Neste contexto, as marcas precisam ter práticas e propósitos cada vez mais claros e ficar atentas a um modelo econômico que têm ganhado proeminência nesse cenário de pandemia: a economia regenerativa. Saiba mais sobre o assunto com Andresa Wendt, consultora de inovação socioambiental.

Confira neste Insight de Mercado:

O que é economia regenerativa

O que muda no pós-pandemia para as pequenas e médias empresas

Quais os princípios básicos da economia regenerativa

Exemplos de econegócios regenerativos

Como está configurado o ecossistema de negócios regenerativos em Santa Catarina

O modelo de negócio baseado em extrair, produzir e descartar sem pensar nas consequências socioambientais está com os dias contados. Isso porque o novo comportamento do consumidor – que foi intensificado pela pandemia da Covid-19 – tem priorizado produtos de empresas que colocam a sustentabilidade no centro da estratégia dos negócios. O objetivo é atender às reais necessidade humanas e, ao mesmo tempo, preservar o meio ambiente. Neste contexto, as marcas precisam ter práticas e propósitos cada vez mais claros e ficar atentas a um modelo econômico que têm ganhado proeminência nesse cenário de pandemia: a economia regenerativa.

A economia regenerativa é um modelo de negócio que prioriza a renovação e a reutilização. A lógica é de que os processos de produção devem ser inspirados aos que são encontrados na natureza, como, por exemplo, quando uma folha que caiu da árvore serve de adubo para o solo. Nesse sentido, tudo o que é descartado deve ser reutilizado ou transformado em outro objeto. Tudo o que é extraído do meio ambiente (como matéria-prima) deve ser feito de maneira a não agredir o ecossistema e propiciando a recuperação natural do local. Além disso, o modelo regenerativo trabalha com foco na colaboração entre pessoas e negócios que fazem parte de toda a cadeia produtiva, ou seja, produtores, fornecedores e consumidores. 

Segundo Andresa Wendt, consultora de inovação socioambiental, coordenadora de pesquisa e desenvolvimento em agricultura sustentável da ecofazenda Costão da Ferrugem e que também integra a Aflora Consultoria Regenerativa, a crise ambiental e social provocada pela Covid-19 marca uma mudança no perfil do consumidor, que passa a ser mais atento, consciente e regenerativo. Com isso, os compromissos socioambientais estão ganhando espaço no mundo dos negócios. “As empresas são hoje uma das principais formas de organização social, e eu acredito nelas como catalizadoras da mudança rumo ao novo tipo de economia. À medida que os consumidores se tornam mais conscientes, também procuram negócios que compartilhem dos seus valores. Com isso, para as pequenas e médias empresas, é imperativo incluir políticas e práticas que vão além dos ganhos econômicos e impactem positivamente o social e o ambiental”, explica.

De acordo com Andresa, diversidade, consumo local, pequena escala e colaboração são os princípios básicos que regem este novo paradigma, no qual estão os negócios regenerativos. “A ideia é pensar no consumo a partir de fornecedores mais próximos a mim, em que os ganhos sejam circulares, gerando mais empregos, renda e impactando a comunidade local. Já a diversidade está na forma de ser dos negócios, de não dependerem de apenas um único produto ou serviço. E o colaborativo está associado a cooperação ao invés da competição, no qual os atores se articulam buscando maior integração”, contextualiza.

Levando em conta estas características, Andresa destaca que as pequenas empresas levam vantagem nesse sistema por poderem trabalhar mais facilmente nessas esferas: “quando a gente fala dos grandes benefícios da implementação do sistema regenerativo, principalmente olhando para as pequenas empresas, a possibilidade de inovar é muito mais rápida do que nas grandes empresas, pois os processos são mais demorados. Então, as pequenas empresas já saem na frente nessa nova tendência de se posicionar com marcas alinhadas ao seu propósito”, contextualiza.

Para aplicar a economia regenerativa no negócio, Andresa diz que “isso se dá por meio de ferramentas, gestão, estratégia, esforço, projeto” e indica o Mapa de Negócios de Impacto Social+Ambiental (2019), realizado pela Pipe.Social, como referência. Esse mapa é um estudo que verifica os principais desafios e oportunidades para o empreendedorismo social e ambiental. Ele traz um panorama da área mostrando os diversos setores como Educação, Saúde, Cidades e Tecnologias Verdes”.

Em relação ao ecossistema de negócios regenerativos em Santa Catarina, Andresa acredita que o estado se configura como um grande hub de inovação podendo gerar negócios de impacto para o Brasil, pois conta com uma série de políticas de incentivo, principalmente quando o assunto é inovação socioambiental. “E Florianópolis tem servido de sede para muitas empresas de tecnologia e a cidade por si só já tem uma política de promover a sustentabilidade muito forte. A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), por exemplo, foi vencedora em seis categorias do 27º Prêmio Expressão de Ecologia deste ano, e tem sido referência em sustentabilidade, entregando soluções inovadoras e regenerativas para a sociedade catarinense, mas o Estado em si conta com uma rede de centros de inovação em diferentes polos do estado e núcleos regionais”, esclarece Andresa.

Como ser um negócio regenerativo

Busque se conectar com fornecedores que possam ajudá-lo a gerir os resíduos produzidos pelo seu negócio, ou até mesmo que forneçam matérias-primas recicladas ou biodegradáveis.

Reveja seu catálogo e verifique se você está oferecendo produtos/serviços que remetam ao estilo que estimula a impacto positivo (baixo custo, e/ou sustentáveis e duradouros, que podem ser descartados sem prejudicar o ecossistema).

Para evitar a obsolescência dos equipamentos da sua empresa, considere contratar serviços de leasing ou locação. No leasing, o objeto fica sob propriedade do banco/financeira que também arca com manutenções. Na locação, o equipamento é de um fornecedor e as soluções de problemas ficam por conta de quem contrata.  

Novamente, para essa tendência, são muito bem-vindas estratégias, como serviços de assinatura, envio mensal de produtos, coleta e reutilização de produtos descartados pelo cliente etc.

Exemplos de negócios regenerativos

  Ecocimento: cimento feito por meio da transformação dos rejeitos de minério em um pó, a lama calcinada. Esse produto é mais econômico e resistente do que o tradicional.

  Casa ecológica: são habitações construídas 100% a partir de materiais biocerâmicos, como basalto e cânhamo. Nesse tipo de construção, os resíduos de CO₂ são captados pelos painéis pré-fabricados que podem ser reciclados para criar novos, criando um ciclo de zero carbono.

  Moda ecológica: empreendedoras de Porto Alegre criaram o Insecta Shoes, um negócio que produz calçados, bolsas e acessórios a partir de materiais recicláveis e sob o conceito vegano, ou seja, não é utilizado nenhum produto de origem animal na fabricação.

  Modelos colaborativos e sustentabilidade: Peerby é uma plataforma holandesa que permite que seus membros peguem emprestado o que precisam de outras pessoas em sua vizinhança, como ferramentas, eletrônicos e equipamentos recreativos, sem a necessidade de comprar.

Exemplos catarinenses

  Moda vegana: empreendedores de Blumenau criaram a Saiassim, uma marca que camisetas veganas, ou seja, que não utilizam produtos de origem animal. Além disso, a empresa segue o conceito lixo zero e também valoriza a mão-de-obra local como forma de fortalecer a economia regional.

  Pousada ecológica: a Morada Ekoa em Imbituba é um lugar criado por meio da permacultura, uma técnica que tem como objetivo estabelecer relação sustentável e de equilíbrio com a natureza ao redor. Quem se hospeda na pousada participa de atividades sustentáveis, aprende técnicas de bioconstrução, agroecologia, dentre outras. As instalações são construídas a a partir de materiais reutilizados e provenientes da terra.

→ Acesse nossos materiais sobre Upcycle e Lixo Zero e veja como sua empresa pode se beneficiar dos modelos de negócios ecológicos e socialmente sustentáveis.

Andresa Wendt, consultora de inovação socioambiental



Fontes auxiliares: O que é economia regenerativa e seus benefícios para o planeta. Pensamento Verde. 2017. Guia de tendências 2020-2021: sociedade e consumo em tempos de pandemia. Sebrae. 2020. Biomimética: o que é e ideais de negócio. Sebrae. 2020.

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