Internacionalização: tudo o que você precisa saber para começar a exportar
Você sabia que Santa Catarina é o terceiro estado no ranking nacional de micro e pequenas empresas exportadoras de produtos e serviços? E que os pequenos negócios movimentaram cerca de R$ 3 bilhões de dólares em exportações em 2023? Esses dados são do Sebrae e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e podem surpreender, mas mostram algo importante: a internacionalização de um negócio não é mais privilégio de grandes indústrias.
Exportar é uma oportunidade real e acessível para micro e pequenas empresas que desejam crescer de forma sustentável e inovadora. Neste artigo, você verá por que a internacionalização é um passo estratégico, como começar a exportar e de que forma o Sebrae pode ajudar sua empresa a se preparar para conquistar novos mercados.
Para começar, é importante entender por que esse movimento pode transformar o futuro da sua empresa.
Por que a internacionalização importa para a sua empresa?
A internacionalização é muito mais do que vender para fora do país: é uma estratégia de fortalecimento, inovação e competitividade. Em um cenário global em constante mudança, as empresas que buscam novos mercados ganham resiliência, diversificam receitas e aumentam sua capacidade de inovar.
Para micro e pequenas empresas, o desafio pode parecer grande, mas as oportunidades também são. Veja abaixo os principais benefícios da internacionalização.
Amplia o público consumidor: exportar permite alcançar novos clientes e mercados, aumentando o volume de vendas e a visibilidade da marca.
Reduz a dependência do mercado interno: diversificar destinos de venda ajuda a equilibrar receitas e proteger o negócio de crises locais ou sazonalidades.
Aumenta a credibilidade e o valor da marca: estar presente no exterior eleva o prestígio e mostra que sua empresa tem qualidade e capacidade para competir globalmente.
Gera aprendizado e modernização dos processos: atender padrões internacionais exige mais organização e qualidade, o que fortalece toda a operação da empresa.
Estimula a inovação e o desenvolvimento de produtos: as exigências de novos mercados impulsionam a criação de novas soluções e o aprimoramento constante.
Melhora a gestão e a governança: exportar demanda planejamento e controle, ajudando o empreendedor a profissionalizar sua gestão.
Aumenta a lucratividade: produtos com valor agregado podem conquistar margens maiores no mercado externo.
Fortalece a sustentabilidade e a competitividade: empresas que buscam padrões mais sustentáveis e inovadores se destacam e ganham espaço internacionalmente.
Cria oportunidades de parceria e crescimento: a atuação global abre portas para alianças comerciais, intercâmbios tecnológicos e novas formas de expansão.
Resumindo: internacionalizar é investir no futuro do seu negócio.

Primeiros passos: como começar a pensar na internacionalização
Antes de enviar seu primeiro produto para o exterior, é essencial fazer uma pausa estratégica e avaliar se a sua empresa está pronta para exportar. Por isso, o primeiro passo é realizar um diagnóstico de maturidade exportadora, que analisa aspectos como gestão, capacidade produtiva, qualidade, marketing e planejamento.
Além disso, mais do que processos, a internacionalização começa com uma mentalidade exportadora, ou seja, é preciso desenvolver uma cultura que valorize planejamento, inovação e aprendizado contínuo.
Veja abaixo algumas atitudes e boas práticas que diferenciam as empresas que apenas sonham em exportar daquelas que realmente conquistam o mercado internacional e avalie se o seu negócio está no caminho certo.
Planejar antes de agir: entender o mercado, avaliar riscos e traçar metas claras antes de enviar o primeiro produto.
Conhecer bem o próprio negócio: saber quais são seus diferenciais, custos, capacidade produtiva e margens, o que facilita negociar com compradores estrangeiros.
Investir em qualificação: buscar capacitações, consultorias e programas como o Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX) para se preparar com segurança.
Adaptar-se aos mercados: ajustar produto, embalagem, comunicação e processos para atender às exigências internacionais.
Valorizar a qualidade e a consistência: manter padrões elevados em cada entrega, fortalecendo a reputação da marca.
Construir relacionamentos: participar de feiras internacionais, missões e redes de negócios para criar conexões duradouras.
Ter visão de longo prazo: entender que exportar é um processo contínuo, que exige aprendizado e persistência.
Essas atitudes formam a base de uma verdadeira cultura exportadora: um modo de pensar e agir com foco no crescimento sustentável e na conquista de novos mercados.
Seu produto tem potencial internacional?
Nem todo produto se encaixa em qualquer mercado, mas todo produto pode encontrar seu público no exterior, se houver estratégia. Nesse momento, é importante avaliar:
Qual é o diferencial do seu produto?
É algo que comunica valor, tradição ou inovação?
Está adequado às exigências técnicas e culturais de outros países?
Por exemplo: um produto artesanal pode se destacar pela autenticidade e origem local; um produto industrial, pela qualidade e eficiência; e um produto inovador, pela tecnologia e pelo design.
O segredo está em identificar nichos de mercado e analisar a demanda internacional, ou seja, é um exercício de pesquisa e observação estratégica que exige entender onde seu produto pode ter maior valor percebido e não apenas onde existe volume de consumo.
Quanto mais você conhece seu produto e o mercado global, mais fácil é encontrar o público certo e construir uma presença internacional sólida.

Documentos e exigências legais para exportar
A parte burocrática da internacionalização pode parecer complexa, mas com organização e orientação certa, é totalmente possível. Os principais documentos e requisitos da exportação são:
habilitação no Registro e Rastreamento da Atuação dos Intervenientes Aduaneiros (RADAR), feita na Receita Federal;
Registro de Exportação (RE): etapa que formaliza a operação no Siscomex;
nota fiscal de exportação com os códigos e as informações adequadas;
certificações específicas por setor, como sanitárias, ambientais ou de origem;
contratos e comprovantes de pagamento internacional.
Entre os erros mais comuns na exportação estão o envio de produtos sem documentação completa e a desinformação sobre os tributos aplicáveis. Por isso, é importante buscar o máximo de informação e ter suporte especializado para começar a exportar.
Como encontrar mercados e compradores no exterior
Saber para onde exportar é uma das decisões mais estratégicas da internacionalização. O ideal é realizar uma pesquisa de mercado internacional, analisando fatores como demanda, concorrência, tendências de consumo e barreiras comerciais.
Para começar, vale observar:
tendências globais de consumo: pesquise o que está em alta em setores próximos ao seu, como sustentabilidade, produtos naturais, design artesanal e soluções tecnológicas, que são temas em crescimento em vários países;
mercados semelhantes ao brasileiro: países da América Latina e da África, por exemplo, costumam ter preferências e padrões de consumo próximos, facilitando a adaptação inicial;
segmentos de nicho: em vez de mirar nos grandes varejistas, muitas pequenas empresas têm sucesso vendendo para públicos específicos, como produtos veganos, acessórios sustentáveis, alimentos regionais ou peças de moda autoral;
ferramentas e fontes de dados: utilize relatórios da ApexBrasil ou do Google Market Finder para avaliar países que mais importam produtos semelhantes ao seu;
eventos e feiras internacionais: são excelentes espaços para testar a aceitação do produto, entender a concorrência e conhecer compradores potenciais.
Além disso, ao apresentar seu produto, invista em materiais profissionais, como catálogos bilíngues, e um pitch (apresentação para vender seu produto) claro e objetivo. E lembre-se: ter domínio básico de inglês técnico faz toda diferença na comunicação comercial.

Logística e operação: como funciona a exportação na prática
A etapa operacional é onde a teoria e a prática se encontram. É preciso entender como funcionam o transporte internacional, o armazenamento, os seguros e os prazos. Os chamados Incoterms (termos internacionais de comércio ou condições de venda) definem as responsabilidades entre vendedor e comprador: quem paga o frete, quem assume o risco, onde a entrega é finalizada.
Também é importante planejar os custos logísticos:
frete internacional e seguro;
tarifas cobradas pelos marketplaces (se for o caso);
impostos no país de destino;
variação cambial entre real e dólar.
Além disso, alguns erros operacionais podem comprometer a rentabilidade da exportação, como:
usar a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), que classifica seu produto, de forma incorreta, gerando multas e atrasos;
ignorar custos ocultos, como armazenagem ou devoluções;
prever mal os prazos de entrega;
descrever o produto de forma vaga, dificultando a liberação na aduana;
usar embalagens inadequadas que não resistem ao transporte internacional.
Por isso, atente-se a cada detalhe na parte operacional, pois é isso que faz a diferença na experiência do cliente e na reputação da sua empresa. Preparamos um checklist para ajudar você a evitar erros e não esquecer nenhuma etapa operacional importante.
Cadastro e habilitação: como já mencionamos, é importante ter o registro da sua empresa no Siscomex, mesmo que seja na modalidade simplificada.
Declaração Única de Exportação (DU-E), documento eletrônico que oficializa a saída da mercadoria do Brasil, e demais documentações: confira sempre NCM, origem e descrição.
Postagem: use os Correios (Exporta Fácil) ou uma transportadora habilitada.
Embalagem: pense em resistência, peso e tamanho na hora de escolher os pacotes, já que qualquer falha pode gerar devoluções.
Rotulagem: inclua informações em inglês e, se possível, no idioma do país de destino.
Seguro: considere contratar um seguro para proteger seu negócio contra extravios e avarias nos produtos.
Lembre-se: ter orientação técnica desde o início evita prejuízos e facilita todas as etapas desse processo.
Como o Sebrae e o PEIEX podem ajudar na internacionalização da sua empresa
A internacionalização é uma jornada de crescimento e aprendizado, que começa com planejamento e apoio certo. Se você deseja dar os primeiros passos rumo à exportação, pode contar com o PEIEX, programa do Sebrae em parceria com a ApexBrasil. O programa é gratuito e oferece:
diagnóstico completo da empresa;
implementação de plano de trabalho com tópicos de comércio exterior (logística, preços, negociação internacional);
plano de exportação, expansão e mapa de valor personalizado;
orientações de técnicos especializados em comércio exterior.
Com o apoio do Sebrae, sua empresa tem acesso a conhecimento especializado, planejamento estratégico e suporte técnico para alcançar o mercado internacional com segurança.
Internacionalizar é abrir as portas do mundo para o seu negócio. E o Sebrae está pronto para ajudar você a dar esse passo. Conheça o PEIEX e saiba como participar.
