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Tecnologia e Startups

Panorama da participação feminina na indústria digital

Integrante do coletivo Anitas explica por que contratar mulheres pode trazer benefícios ao setor.

Em 8 de março, é celebrado o Dia Internacional da Mulher, que remete ao debate sobre a inclusão e equidade das mulheres nas esferas social, política e profissional. Mesmo que a data motive a discussão do tema todos os anos, as desigualdades no mercado de trabalho seguem afetando as mulheres ao redor do mundo. Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostram que a participação das mulheres na força de trabalho foi de 48,5% em 2018, o equivalente a 26,5 pontos percentuais abaixo do registrado para os homens.

Na indústria digital, o cenário é de grande disparidade: apenas 25% da força de trabalho é composta por mulheres, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU). Por conta da presença tão desproporcional em relação aos homens, iniciativas que buscam a inclusão das mulheres têm sido desenvolvidas, questionando o cenário e promovendo ações para alterá-lo. O Coletivo Anitas, de Florianópolis, é um exemplo disso.

“A cada dez profissionais de TI, somente três são mulheres, o que é muito baixo”, alerta Tauane de Jesus, coordenadora de segurança e compliance em Tecnologia da Informação (TI) e integrante do coletivo Anitas.


Saiba mais sobre a participação das mulheres no mercado de trabalho acessando o conteúdo completo.

Ouça o podcast da entrevista com Tauane de Jesus, que explica essa participação das mulheres no mercado de tecnologia.

Em 8 de março, é celebrado o Dia Internacional da Mulher, que remete ao debate sobre a inclusão e equidade das mulheres nas esferas social, política e profissional. Mesmo que a data motive a discussão do tema todos os anos, as desigualdades no mercado de trabalho seguem afetando as mulheres ao redor do mundo. Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostram que a participação das mulheres na força de trabalho foi de 48,5% em 2018, o equivalente a 26,5 pontos percentuais abaixo do registrado para os homens.  

Na indústria digital, o cenário é de grande disparidade: apenas 25% da força de trabalho é composta por mulheres, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU). Por conta da presença tão desproporcional em relação aos homens, iniciativas que buscam a inclusão das mulheres têm sido desenvolvidas, questionando o cenário e promovendo ações para alterá-lo. O Coletivo Anitas, de Florianópolis, é um exemplo disso. 

"A coordenadora de segurança e compliance em Tecnologia da Informação (TI) e integrante do coletivo, Tauane de Jesus, afirma que em Santa Catarina ainda há muita desigualdade de gênero no mercado de tecnologia. “A cada dez profissionais de TI, somente três são mulheres, o que é muito baixo”, alerta.

Os números dão a dimensão do problema, mas não evidenciam padrões comportamentais que podem levar a um agravamento da situação. Para Tauane, as disparidades do mercado de trabalho levam as mulheres a serem mais exigentes consigo mesmas, deixando de se arriscar em prol de melhores oportunidades. Assim, muitas aceitam salários mais baixos do que mereceriam frente à qualificação e não reconhecem o próprio potencial. “Acredito que esse seja o maior desafio que temos, mostrar que merecemos respeito e que as pessoas podem confiar em nosso trabalho”, ressalta. 

Embora ainda faltem iniciativas que coloquem o discurso pela igualdade em prática, as empresas estão conscientes da importância de inserir mais mulheres em suas equipes. Para alterar o cenário de desigualdade, é importante que a diversidade de gênero passe a ser uma prioridade das empresas. “Há muita coisa em jogo. Estudos mostram que se a igualdade de gênero avançasse, poderia haver um impulso de US$ 12 bilhões no PIB mundial até 2025”, diz Tauane. 

A consultoria global Great Place to Work (GPTW) mostra que o benefício financeiro se comprova a partir da maior presença feminina nas corporações: as empresas premiadas pela GPTW Mulher no Brasil, realizado em 2019, tiveram aumento de 12,2% no faturamento, seis vezes mais que a média de crescimento do mercado. Para participar do prêmio, as empresas precisavam ter pelo menos 15% de colaboradores e de gestores do gênero feminino. 

Importância da liderança feminina e das iniciativas em prol das mulheres 

Depois de passar por uma graduação onde era a única mulher entre 40 estudantes homens e vivenciar a realidade do mercado de trabalho, Tauane entende que uma das principais ações que podem ser realizadas pelas empresas é alçar mulheres à posição de liderança. “Um estudo recente descobriu que a proporção média de executivas em empresas de sucesso é de 7% e naquelas em que não há sucesso, é de 3%”, destaca. Para a coordenadora de segurança e compliance em TI, isso indica que a presença feminina pode potencializar a gestão e melhorar os resultados dos negócios.

Mulheres na liderança ainda são capazes de estimular que outras busquem posições de destaque no setor de tecnologia, encorajando meninas e jovens profissionais a encarar o desafio de ingressar em um mercado onde são minoria. Com base nessa ideia, o coletivo Anitas apoia a realização do Technovation Girls, projeto que ensina programação em bloco para meninas e jovens entre 15 e 18 anos. 

Durante o Technovation Girls, as garotas aprendem a desenvolver um aplicativo, bem como montar os planos de negócios e de marketing, monetização do app e podem concorrer à final internacional do projeto. “Assim, conseguimos criar outra realidade na vida dessas meninas e mostrar que elas podem ser tudo o que quiserem, e também ajudar a sociedade na inclusão de mais mulheres na área de tecnologia”, frisa Tauane. Ela acrescenta que o objetivo do coletivo Anitas é capacitar, conectar, empoderar e inspirar outras mulheres para o mercado de tecnologia.

Apesar de não ser na velocidade necessária para alterar as desigualdades rapidamente, mudanças estão acontecendo no setor. Com o crescente movimento de mulheres, muitas empresas estão diversificando as equipes e incluindo mais mulheres em seus times. “Deveria ser algo natural, mas fico feliz em ver empresas que têm a diversidade como algo forte e outras que estão no caminho. Sem dúvidas, o mundo ideal seria de equidade. Enquanto não conseguimos isso, seguimos lutando pelo nosso espaço”, finaliza a entrevistada.

Para saber mais sobre esse panorama das mulheres na tecnologia, baixe o relatório Mulheres na Tecnologia. Boa leitura!



Fontes de apoio:

OIT: participação das mulheres no mercado de trabalho ainda é menor que dos homens. Nações Unidas Brasil. 2018.  ONU defende aumentar participação de mulheres em ciência e tecnologia. Nações Unidas Brasil. 2018.  Daniela Frabasile. Equidade de gênero melhora resultados financeiros das empresas. Época Negócios. 2019.


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